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111º Aniversário da Fundação Lar de Cegos de Nossa Senhora da Saúde

As comemorações do 111º aniversário da Fundação-Lar de Cegos, decorram no dia 22 de Junho de 2007, com o seguinte programa:

08h00 - Içar da Bandeira;
09h30 - Deposição de uma coroa de flores no mausoléu dos beneméritos Manuel Nunes Corrêa e Mulher, no cemitério dos Prazeres;
10h15 - Deposição de uma coroa de flores no mausoléu da Fundadora D. Maria Balbina dos Reis Pinto, no cemitério do Alto de S.João;
11h30 - Missa de Acção de Graças, na Capela da FLar, em memória da Fundadora e de todos os beneméritos, com a participação do coro da Fundação;
12h00 - Chegada dos convidados;
12h15 - Sessão Solene, no salão de convívio;
• Discurso do Presidente do CA da FLar;
• Discurso do MI Provedor da RINSSSS;
• Entrega de medalhas de mérito, aos funcionários;
13H00 - Almoço de aniversário;
15h00 - Cumprimentos de despedida aos convidados;
16h00 - Lanche de convívio para os residentes e funcionários da FLar;
20h00 - Arrear da Bandeira.


O Presidente da Fundação-Lar dirigiu-se a todos os presentes, dizendo:


“Ao comemorarmos o Dia da Fundação-Lar da Nossa Senhora da Saúde é forçoso recordarmos, sempre, a nossa saudosa benemérita, D. Maria Balbina dos Reis Pinto, que norteada pela suas preocupações com os mais desfavorecidos, muito em particular com os cegos e as cegas, transmitiu-nos a mensagem de dignificação da pessoa humana que tem perdurado ao longo destes anos da qual o breve convívio de fraternidade que estamos neste momento vivendo é apenas um exemplo.

Falecida em 20 de Junho de 1890, passou os últimos anos da sua vida em total alheamento com a vida real, resultado do infortúnio que a atingiu quando em cerca de ano e meio perdeu os seus dois filhos e a adorada filha com idades ainda jovens rondando os 35 anos.

Julga-se que a sua profunda religiosidade foi o bálsamo para atenuar as tristezas vividas mas, simultaneamente, exaltaram-lhe o seu sentido de justiça humanitária, possibilitando, que através das suas decisões testamentárias fosse inaugurado, em 23 de Maio de 1896, o Asilo para Cegos de Nossa Senhora da Saúde, neste mesmo local onde agora nos encontramos.

Esta Instituição, herdeira do espírito inicial da benemérita, passou, mais tarde, a designar-se Fundação-Lar de Cegos da Nossa Senhora da Saúde, sendo hoje, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, aprovada em 25 de Fevereiro de 1983, sem fins lucrativos e à qual foi reconhecida o estatuto de Utilidade Pública, em 10 de Fevereiro de 1989.

Mas a consolidação desta imensa obra continuou e perdurou com a ajuda de muitos beneméritos e amigos da Fundação-Lar, tantas vezes anónimos e nem por isso menos importantes. No ano de 1987, mais concretamente aos 25 de Junho, com ajuda dos saudosos beneméritos Comendador Manuel Nunes Corrêa e Mulher D. Maria Eva, foi possível aumentar-se o número de residentes, com a construção de um pavilhão nos jardins do edifício principal e assim alargar a protecção a cidadãos na velhice e em todas as situações de falta de meios de subsistência ou de incapacidade para o trabalho.

Passados que foram, cento e onze anos, comemoramos este Aniversário convictos de que o espírito do testemunho de D. Balbina tem-se mantido.

De momento o Conselho de Administração da Fundação-Lar está preocupado e expectante face às negociações com o Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa, com vista à Revisão dos Acordos de Cooperação, que se arrastam desde 2002. Como é sabido, as contenções orçamentais, ao nível nacional, tem sido exigentes. Tem-se constatado, ainda, que a valorização das áreas sociais têm sido subalternizadas e a frieza dos números, neste tipo de negociações, é inegável.

Mas tenhamos confiança no futuro na esperança de que a fé, tantas vezes depositada em Nossa Senhora da Saúde, nos auxilie e dê alento para encontrarmos a forma mais justa e coerente para continuarmos, com serenidade, a missão que nos foi imposta dignificando os Utentes desta Casa.

Haverá melhor forma de sabermos se vale a pena continuar esta obra, do que perguntar àqueles que aqui residem? Certamente que não. E quão reconfortante é ouvirmos os Residente mais antigos, nem sempre os mais idosos, dizerem que aqui lhes foi possibilitado terem encontrado uma outra família! O dia a dia no Lar pressupõe um convívio exigente, mas não menos fraterno, entre residentes e funcionários quebrado quiçá, de quando em quando e inevitavelmente, por algumas atitudes menos correctas de parte a parte. Mas quais as famílias, bem mais reduzidas que não têm, por vezes, os seus desagravos?

Os Residentes são a razão de ser da nossa existência mas neste Dia não é menos imperioso enaltecermos todos os funcionários do Lar, muito em particular, aqueles que diariamente contactam e tratam dos Residentes garantindo-lhes uma esperança de vida condigna e feliz. É nesta constante procura pela dignificação da pessoa humana que encontramos força e vontade em continuar esta obra fundada pela nossa querida e saudosa benemérita D. Maria Balbina dos Reis Pinto.

Hoje é dia de festa e o Conselho de Administração da Fundação-Lar agradece a presença de todos para que possamos perpetuar com fraternidade e conforto as intenções dos beneméritos e amigos da Fundação.”

De seguida o Vice-Provedor, Coronel José Castelo Caetano proferiu breves palavras elogiando o esforço que a Administração da Instituição está a fazer pela dignificação da pessoa humana.

O almoço foi seguido de alguma animação onde os dotes de dança dos idosos e demais presentes, alguns mais jovens, foram momentos bem vividos cujos testemunhos fotográficos podem ser vistos da nossa galeria.

Lisboa, aos 20/6/2007.
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